PRAÇA DA LIBERDADE

#genes

Não levamos coisas sérias a sério. Uma delas é o futuro.

Por muitos alertas, estudos, documentários, reportagens que ser façam, o facto de dizerem que daqui a 50 ou a 100 anos o excesso ou falta de algo pode ser o fim deixa-nos a respirar de alívio, com o egoísta pensamento que já não estaremos cá. Mas o futuro é hoje. Um exemplo: o Fisco português dá hoje, sábado, início a uma experiência rumo às faturas de forma digital. Será através de uma aplicação, eliminando o papel que nos vai enchendo gavetas e matando o futuro. Mas o futuro já começou a ser castigado ontem. Cientistas vieram dizer que a extinção galopante de insetos será uma catástrofe daqui a 100 anos. E sem insetos não há alimento para animais, nem polinização de flores que serão fruto, nem decomposição de matérias orgânicas. Os grandes culpados são os pesticidas, as alterações climáticas e as espécies invasoras. Ou seja, o futuro viu a sua destruição ser potenciada há 50 ou mais anos. Numa altura em que os nossos antepassados não levaram a sério coisas sérias. São genes.

* Jornalista