Opinião

#sempraia

Dois anos depois procurei a praia onde fui feliz. Tinha espreguiçadeiras brancas, debaixo de colmos, areia fina, gente boa a cuidar do espaço e até uma tela gigante para travar nortadas, que foi vandalizada pouco tempo após a instalação. Ia para lá de manhãzinha.

Adorava ver a manhã crescer em calor, o areal tornar-se num coro de vozes e num colorido bonito. Dois anos depois, a praia onde fui feliz - parte da Francelos Norte -, em Gaia, já não existe. Não há espreguiçadeiras brancas nem colmos. Há um amontoado de pedregulhos junto ao muro que protege (até quando?) os dois restaurantes.

O mar levou com ele, também, as minhas melhores memórias de verões com amigos. Ao ver a tragédia na Amazónia, o meu terror aumenta. A natureza vai punir-nos mais. Mas para quem pode fazer alguma coisa, os senhores do poder infinito, o futuro já não é a sua praia.

*Jornalista