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Opinião

#oquartodesofia

Sofia veio de longe, da terra do frio a valer, para tirar o mestrado no Porto. Quer isto dizer que Sofia está a investir sem retorno e há que tomar cautelas com despesas. Perguntou a amigos se sabiam de quartos para alugar. Conseguiu um, na zona oriental da cidade, por um preço que os pais da estudante podem assegurar: 250 euros por mês. Isto para além das despesas com transportes, comida e outras ligadas ao quotidiano de qualquer um.

Sofia tem direito a um quarto, com quatro canais de televisão, casa de banho comum e uma cozinha com um fogão com duas bocas, sem direito a forno. Para lavar a roupa, Sofia tem de recorrer a uma lavandaria porque máquinas não existem naquele andar. Sim, por se trata de um andar com três quartos, todos alugados a estudantes.

Ou seja, 750 euros por mês que a senhoria de Sofia arrecada sem sequer se preocupar com limpezas gerais ou aquecimento. Quer dizer, preocupar, preocupa-se porque a Sofia conta que a senhora, que vive no andar de baixo, passa a vida a reclamar por causa da água nos banhos e do tempo para cozinhar (só se pode fazer almoços e jantares na mesma hora).

Mais: não vá o frio tecê-las, a senhora entra, sem licença, nos quartos alugados para ver se estará por lá algo que aqueça. Não pode ser: a luz está cara. Pois. Os quartos para arrendar, clandestinamente, também. E no Porto só não vê quem não quer.

Jornalista