Opinião

Universidades: mais ciência, mais futuro

Universidades: mais ciência, mais futuro

Realizou-se, ontem, um Encontro Nacional que reuniu peritos das universidades portuguesas para assinalar os 50 anos da reforma Veiga Simão e os 50 anos de democracia.

O 25 de Abril de 1974 e a Constituição aprovada em 1976 renovaram e atualizaram o sentido da reforma de 1972, tornando mais explícitos os objetivos de expansão, de diversificação e de democratização do acesso. O sistema de Ensino Superior que hoje temos é constituído por uma grande diversidade de instituições criadas no âmbito da reforma, cuja história se confunde com a do regime democrático.

Cinquenta anos volvidos sobre a criação da primeira das novas instituições previstas na reforma, o Iscte, podemos concluir que as universidades, as novas e as antigas, desempenharam um papel decisivo na modernização do país. Formaram milhares de diplomados que qualificam as instituições onde exercem a sua profissão. Formaram milhares de investigadores que integram o sistema científico e tecnológico do país, produzindo mais e melhor ciência.

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Porém, o principal objetivo do Encontro, mais do que comemorativo, foi olhar em frente e pensar o futuro da universidade.

A produção de conhecimento científico, de mais e melhor investigação, é talvez o desafio mais relevante naquele futuro. Este desafio não se colocava à universidade há 50 anos, foi-se afirmando como imperativo ao longo do percurso, tendo tido respostas difíceis e caminhos próprios. Hoje, as universidades têm um papel central na produção de ciência através dos seus 200 centros de investigação classificados com "muito bom" ou "excelente", onde se desenvolvem cerca de 40% das atividades de I&D a nível nacional.

Embora o Ensino Superior e a ciência se encontrem reunidos no mesmo ministério desde 2002, têm faltado políticas que promovam a articulação entre os dois setores. Num tempo em que os financiamentos da FCT são insuficientes e desajustados, não garantindo sequer o funcionamento regular das infraestruturas científicas, faz sentido debater temas como o da atribuição às universidades de uma dotação orçamental consignada ao desenvolvimento da investigação e ciência. O reconhecimento, a responsabilização e, simultaneamente, a atribuição de recursos financeiros permitiriam às universidades, por exemplo, definirem estratégias de internacionalização das equipas e centros de investigação, terem condições para fazerem melhor em domínios como o do estímulo ao emprego científico, o apoio a áreas do conhecimento emergentes ou o desenvolvimento de projetos de investigação estratégicos para as instituições ou para o país.

*Professora universitária

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