Opinião

A violência online contra as mulheres

A violência online contra as mulheres

Revenge porn é a partilha de conteúdos íntimos de uma parceira ou ex-parceira, com o intuito de a prejudicar. Por vezes são até conteúdos manipulados e falsos, construídos com ferramentas digitais para se tornarem mais agressivos para as visadas.

O mundo online é cada vez menos seguro para as mulheres. 1 em cada 10 mulheres na UE já foi vítima de assédio através de meios digitais. Este problema é ainda mais pronunciado entre as jovens, afetando 20% das mulheres entre os 18 e os 29 anos.

Com a importância crescente do digital nas nossas vidas, este tipo de violência cria mais um problema grave para as mulheres, que se soma às outras formas de violência que ainda não conseguimos eliminar.

Até agora, as lutas pelos direitos das mulheres têm vindo a focar-se em direitos que se exercem offline, como o direito à igualdade salarial, a estarem representadas em cargos de direção ou à saúde sexual e reprodutiva. O mundo online tem ficado esquecido, em parte porque confiávamos que as plataformas iriam tomar as medidas necessárias para combater a violência e a discriminação contra as mulheres.

Contudo, pelo menos por ora, isso não aconteceu. Bastaria olharmos para os números que referi, para perceber que, mais de 10 anos depois da criação do Instagram e de 17 anos depois da criação do Facebook, continuamos sem uma resposta efetiva por parte destas plataformas.

Para além disto, uma investigação recente do Washington Post veio revelar que o Facebook tem feito vários estudos sobre o impacto do Instagram em jovens e adolescentes, que comprovam alguns efeitos nefastos na sua saúde mental, especialmente na das raparigas. Num slide interno, revelado pelo "Washington Post", um representante do Facebook admite terem criado "problemas relacionados com a imagem [que adolescentes] têm do próprio corpo a 1 em cada 3 raparigas". O estudo, em que esta apresentação foi baseada, revelou ainda que a maioria das adolescentes culpam o Instagram pelo aumento dos casos de ansiedade e depressão.

Tudo isto demonstra a necessidade de regulação destas plataformas. Por si mesmas, elas não resolverão o problema. Precisamos de ter acesso a dados desagregados, para que investigadores independentes possam identificar que conteúdos ilegais afetam desproporcionalmente as mulheres e raparigas. Temos também de garantir que os trabalhadores das plataformas que decidem que conteúdos são removidos das redes sociais têm a devida formação para o efeito. Por fim, temos de exigir que as plataformas tenham protocolos específicos para lidar com situações particularmente sensíveis, como os casos de revenge porn.

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Estas são algumas das minhas prioridades, esta semana aprovadas na Comissão dos Direitos das Mulheres e da Igualdade dos Géneros, numa Opinião sobre a Lei dos Serviços Digitais. Trata-se de uma proposta de lei, em discussão no Parlamento Europeu, que constitui uma excelente oportunidade para garantir que o mundo online é seguro para todos os utilizadores, incluindo para metade da população europeia, ou seja, as mulheres.

*Eurodeputada do PS

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