Opinião

As promessas dos cartazes

As promessas dos cartazes

Circularam pelas redes sociais vários exemplos de cartazes considerados como peças de humor, ora porque o nome da terra se prestava - há quem goste de "Abraçar Aranhas", tenha "Orgulho nos Biscoitos" e deseje uma "Matança para todos" -, ora porque o candidato era identificado por ser o marido da mulher - no caso a Lara. (Para mim que em 2011, após seis anos de trabalho na simplificação administrativa, levei como título de uma entrevista ser a mulher do meu marido, até achei que era um sinal de que o Mundo está a mudar).

Pior do que esses cartazes são quase todos os outros onde não se promete nada, para além de falta de criatividade.

Isso não aconteceu apenas nas pequenas autarquias, talvez como menos recursos para contratar publicitários. Aconteceu em geral em todas elas. "Somos, Mais, Melhor, Na Frente, Mudar, Crescer" o que dizem a um eleitor? O que exigem aos candidatos?

A haver cartazes, a nível local (e também nacional) o que eu desejaria ver espelhado neles eram promessas bem concretas que apontassem soluções para problemas sentidos na Autarquia ou estabelecessem objetivos desafiantes. Alguns exemplos possíveis: quantos carros a menos irão entrar na cidade; quantas árvores a mais serão plantadas no espaço público; quanto vai melhorar a qualidade do ar nas zonas mais poluídas; quantas pessoas vão deixar de ser infoexcluídas; quantos empregos qualificados vão ser criados; quanto se vai investir na saúde preventiva e em hábitos saudáveis; que processos de participação vão ser organizados; quanto dias a menos vão ser necessários para obter uma licença para isto ou para aquilo e por aí adiante. Ouço até nos debates que há candidatos que têm esse tipo de propostas, mas preferem fazer pouco uso delas.

Lembrei-me a este propósito da campanha do PS para as eleições legislativas de 2005 que assentava em 10 cartazes com 10 promessas muito concretas (entre as quais o cartão de cidadão). No Governo, de que a seguir fiz parte, todos sabíamos que aquelas eram tarefas que tínhamos mesmo de executar e de preferência bem depressa. Era a nossa credibilidade que estava em causa, onde tínhamos de prestar contas aos cidadãos. Mesmo que essas mensagens não cobrissem o programa todo (que de resto muito poucos leem) pelo menos publicitavam os compromissos principais.

É certo que assim os cidadãos iriam exigir ao vencedor que cumprisse rigorosamente o prometido. Ora aí está o que eu desejava mesmo que acontecesse. Se mais razões não houvesse esta seria a bastante para desejar outro tipo de marketing eleitoral. Ainda que nem todos os compromissos pudessem ser honrados, pelo menos ficaria a obrigação de explicar a razão pela qual isso não aconteceu, a qual pode ser justificada.

Assim, com estes cartazes, no final dos quatro anos, todos os eleitos vão cumprir a sua "grande" promessa: haverá sempre mais qualquer coisa feita que torna a cidade maior ou melhor e claro continuaremos a ser da nossa terra como agora.

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Eurodeputada do PS

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