Opinião

As escolas são uma batata quente

As escolas são uma batata quente

Todos os dias chegam notícias de escolas fechadas, escolas que encerram mais cedo ou em que os serviços funcionam a meio gás, sem bar, biblioteca ou pavilhão desportivo.

Por todo o país somam-se os protestos de pais, professores e pessoal não-docente, que denunciam a crescente insegurança em algumas escolas, a falta de acompanhamento aos alunos com necessidades educativas especiais, o trabalho administrativo acumulado ou o cansaço daqueles que se mantêm ao serviço.

A razão para esta situação, a falta de funcionários (assistentes operacionais e técnicos), não é nova, mas atinge agora níveis insustentáveis. Em São João da Madeira, na Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior, há 27 funcionários para 1400 alunos, e só 17 estão ao serviço. Em 137 escolhas de Lisboa faltam 298 funcionários, sendo que outros 216 estão ausentes por motivo de doença ou outros.

O número de assistentes operacionais e técnicos por escola é regulado por portaria do Governo que estabelece um rácio de funcionários por aluno. Mas, neste momento, não só o rácio é insuficiente como não está a ser cumprido.

Este é o resultado de anos e anos em que os novos concursos estiveram encerrados e os funcionários existentes foram sobrecarregados com trabalho excessivo. Na anterior legislatura o problema não foi corrigido, apesar de sucessivos anúncios por parte do ministro da Educação, Brandão Rodrigues. A bolsa de contratação para substituir falhas temporárias não resolverá todos os problemas e a entrada de novos funcionários por concurso, além de insuficiente, não terá efeitos práticos antes de 2020. Entretanto, o primeiro período letivo decorre com alguma escolas em estado de caos.

A demora na resolução deste problema não é inocente. Por um lado, sabemos que essa tem sido a estratégia do Ministério das Finanças que, para atingir o seu objetivo de excedente orçamental, vai adiando despesas essenciais. Por outro lado, o Governo sabe que o resultado do atabalhoado processo de descentralização acordado entre o PS e PSD será a transferência para as autarquias de competências nas áreas da Educação e da Saúde. Ou seja, daqui a uns meses o Governo lavará as mãos do problema e atirará a batata quente para autarquias que, com menos recursos, terão de se responsabilizar por anos de falta de investimento.

Para evitar que a situação se agrave e resolver de vez o problema, só há uma coisa a fazer: o Governo deve contratar imediatamente todos os funcionários necessários ao funcionamento das escolas. É sobre essa solução que o ministro Brandão Rodrigues terá de se posicionar quando for ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre o estado das escolas, a pedido do Bloco de Esquerda.

Deputada do BE

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