Opinião

"Erro de casting" para corrigir depressa

"Erro de casting" para corrigir depressa

Ao longo de meses, António Domingues ouviu a palavra do presidente da República, que defendeu a entrega da declaração de rendimentos. Ouviu a palavra do primeiro-ministro, que defendeu a entrega da declaração de rendimentos. Ouviu o Parlamento, onde todos os partidos defenderam a entrega da declaração de rendimentos. E ouviu, enfim, a palavra do Tribunal Constitucional, que afastou qualquer dúvida sobre as obrigações dos administradores da CGD.

A demissão de António Domingues da presidência da Administração da Caixa Geral de Depósitos já só peca por tardia. Quem se recusou, durante três meses, a reconhecer a lei não serve para presidir à Caixa. Domingues revelou-se um enorme erro de casting, como costuma dizer-se. A sua entrega da declaração de rendimentos, já demissionário, só acentua ainda mais o traço de irresponsabilidade que marcou a sua atuação até agora.

Na quinta-feira passada, o Bloco aprovou uma medida que garante mecanismos reforçados de transparência e impede alegações de ambiguidade na atual lei. Nunca faríamos de outra forma: a luta pela transparência e pelo interesse público não é só o nosso mandato político - é uma das razões da nossa existência.

A Caixa é o maior banco português, o mais sólido, e uma referência para o sistema financeiro nacional. A propriedade pública é a melhor garantia de que assim se manterá.

Durante anos, a Direita varreu os problemas da Caixa para debaixo do tapete e adiou a necessária recapitalização. Foi a atual maioria parlamentar que criou condições para o processo de recapitalização pública, que é um dever e um direito do Estado português.

O importante agora é garantir que a Caixa tenha rapidamente um Conselho de Administração capaz de terminar o processo de recapitalização e cumprir o seu mandato no respeito pelas regras legais de transparência. E esperar que o casting corra melhor desta vez.

DEPUTADA DO BE