Opinião

A interminável saga do BPN

A interminável saga do BPN

Faz 10 anos que o BPN foi nacionalizado. A decisão que entregou ao Estado os prejuízos sem tocar nos acionistas foi do PS, mas os destinos do BPN estarão para sempre ligados ao PSD.

Se, em vida, a história do BPN já daria uma novela - com participações de prestígio, como Cavaco Silva, Dias Loureiro ou Rui Machete -, é sobre os seus escombros que se continuam a amontoar os prejuízos.

Aos vários biliões de euros que tinham resultado da nacionalização, o Governo de Passos Coelho somou outros tantos. Dividiu o que restava do BPN em dois, vendeu o bom, ficou com o mau, e perdeu dinheiro em ambas as operações.

A venda ao BIC foi desastrosa. O Governo capitalizou o BPN com 600 milhões antes de o vender por 40 milhões, que os acionistas do BIC pediram emprestado ao próprio BPN que tinham acabado de comprar.

Ficamos agora a saber o quão desastrosa foi também a gestão de uma das entidades que ficaram com os ativos tóxicos do BPN que o BIC não quis - a Parvalorem. Em 2012, Passos nomeou Francisco Nogueira Leite para presidir a esta empresa pública de recuperação de créditos. Os dois conheciam-se desde os tempos da JSD e aprofundaram relações na Administração da Tecnoforma, acusada por Bruxelas de fraude na gestão de fundos comunitários geridos por Miguel Relvas no Governo de Durão Barroso. Talvez as boas relações entre ambos tenham determinado salários mais altos para os administradores da Parvalorem que para as duas outras empresas criadas para o mesmo fim - a Parups e Parparticipadas.

Na sequência de uma auditoria requerida pelo Bloco de Esquerda, a Inspeção-Geral de Finanças chega agora a conclusões graves sobre a atividade da Parvalorem presidida por Nogueira Leite: perdões e reestruturações de créditos sem fundamento objetivo, falhas processuais e de transparência, contratações externas potencialmente desnecessárias e, em cima de tudo isto, baixíssimos níveis de recuperação de crédito. No total, 100 milhões de prejuízos por ano.

Muitas destas situações já tinham sido denunciadas pelos trabalhadores da Parvalorem. As injustiças de que têm sido vítimas dariam para um outro artigo. São eles os maiores prejudicados pela lamentável condução deste dossiê.

A pergunta que fica é, o que vai o Governo fazer depois de conhecer os resultados desta auditoria?

DEPUTADA DO BE

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