Opinião

Velhos problemas no Novo Banco

Velhos problemas no Novo Banco

Foram publicadas as contas mais recentes do Novo Banco. Trazem duas reservas por parte da auditora (PWC) que não são de menosprezar. A primeira decorre da exposição do Novo Banco ao antigo BESA. Lembram-se com certeza que o BES era o dono do BESA, e que o BESA devia muito dinheiro ao BES por ter andado a fazer empréstimos sem garantia a figuras que se suspeita serem próximas do regime angolano. Tanto assim é que José Eduardo dos Santos pôs o Estado angolano a garantir essa dívida de 3300 milhões de euros. Pois bem, a verdade é que, no fim, o BES e o BESA faliram e a garantia sumiu-se.

Quando o BESA foi transformado em Banco Económico, um banco público angolano, a dívida foi reestruturada, e passou a 838 milhões. Do lado de cá, o Banco de Portugal resolveu passar essa dívida para o Novo Banco, que é agora credor do Banco Económico. Acontece que a PWC duvida que este empréstimo venha a ser pago, já que o banco angolano não publica contas desde que foi criado. Dos 838 milhões, o Novo Banco só tem provisões para 82,8 milhões.

A segunda reserva é sobre os 1183 milhões que o Novo Banco contabiliza como ativos por impostos diferidos, ou seja, os prejuízos fiscais passados que o banco prevê que venham a deduzir aos lucros futuros. Segundo a PWC, a probabilidade de o banco vir a gerar lucros suficientes para abater estes prejuízos em impostos é mínima.

No total, o buraco pode chegar aos 1900 milhões. A surpresa não é grande, e ambos os problemas eram mais ou menos previsíveis no momento em que o Banco de Portugal resolveu incluir estes ativos no perímetro do Novo Banco, em vez de os deixar no "BES mau". Porque é que o fez? Para ajudar a criar a narrativa do anterior Governo, que a resolução do BES tinha sido exemplar e sem custos para os contribuintes. Não só teve custos na altura como deixou outros tantos, escondidos, para quem viesse a seguir.

Agora que o mal está feito, e que o Novo Banco nos lembra um filme que já vimos, só nos restam duas opções. Pagar para vender ou pagar para mandar.