Opinião

#crisenacultura

Não se pode dizer que o Governo não soubesse: "O setor público da cultura sofreu nos últimos anos efeitos combinados devastadores: uma tutela politicamente irrelevante, esvaziada de competências e incapaz de assegurar uma política interna coerente ou uma articulação interdepartamental eficaz com as restantes áreas da governação".

Mais: "A crise económica veio agravar esta realidade que se traduziu num desperdício do enorme potencial criativo, social e económico que este setor representa para o país".

E ainda: " O Governo entende como essencial a prossecução de políticas que valorizem e dignifiquem autores e artistas e melhorem as condições inerentes ao exercício da sua atividade profissional através de melhor proteção dos seus direitos, melhor acesso a apoios e financiamento e menor instabilidade laboral".

Estas e outras intenções estavam no programa de Governo PS em 2015. Três titulares da pasta da Cultura, quatro anos de euforia económica e um superavit depois, chegámos à pandemia. E há muitos artistas a passar fome. Não vejo como é que isto possa ser digno, não deteto proteção de direitos, não verifico menos instabilidade laboral. A crise da Cultura só é nova para quem a esqueceu.

*Jornalista

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