Opinião

#depoisseverá

A necessidade de impor o fecho das escolas significou um fracasso coletivo nacional e foi a demonstração cristalina do ser-se português no fazer frente à pandemia: depois, logo se vê.

E isto é preciso dizer-se mais vezes e em bom som, porque tenho a sensação que o comentariado televisivo nacional, composto na maioria por gente bem instalada na vida e em idade provecta, não está muito preocupado com ter de lidar com teletrabalho e manter o seu emprego, com horas diárias de aulas à distância e, mais importante, com as sérias consequências que o isolamento provoca na saúde mental dos miúdos.

O depois logo se vê vai ver-se agora: a linha que divide os privilegiados dos restantes ficará mais nítida e difícil de transpor; a ansiedade profissional (alimentada por empresas irresponsáveis que pressionam trabalhadores de forma inaceitável - ver manchete de ontem do JN) crescerá para níveis insustentáveis; e, no meio de tudo isto, o plano de vacinação, como logo se viu, não foi um plano à prova de bala, antes permitiu que saísse furado por oportunistas e pequenos sobas que se julgam no faroeste.

O futuro será como sempre: depois se verá que estava tudo mais do que visto.

*Jornalista

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG