Opinião

#eleições

Só admite o adiamento de eleições um político que não aprecia a democracia e vê o ato eleitoral como um aborrecimento. E que se coloca ao lado de muitos nas redes sociais que desvalorizam a campanha eleitoral e a consideram uma regalia dada aos candidatos, como se as eleições não fossem um privilégio de todos.

Que Rui Rio aceite como possível adiarem-se as presidenciais é tão chocante como esperado. De um presidente de um partido já se viu quase tudo, menos que aceite facilmente uma mudança no calendário que determina o dia de ir votar; do atual líder do PSD, que gosta de um certo autoritarismo, não espanta que não considere sagrada a data da ida às urnas.

O voto, esse direito que a democracia nos proporciona, vale todos os sacrifícios comunitários e um regime livre deve fazer tudo para assegurar que possa ser exercido no dia definido. E garantir todas as condições para todos votarem em segurança.

Se a abstenção é perigosa - e é, como frisei na semana passada -, a solução tem de ser lutar para a combater e nunca abrir este precedente. Volto a dizer: a pandemia é o teste do algodão da nossa democracia. Adiar eleições é dar mais um passo neste pântano que nos rodeia.

Jornalista

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