Opinião

#infernoeparaíso

Não deixa de ser significativo que António Costa tenha usado os termos "inferno" e "paraíso" na frase que marcou a entrevista que deu à "Visão", esta semana.

As posições bipolares, que tudo ocupam como se mais nada houvesse no espetro do bem-estar social ou das opiniões políticas e económicas, são a perfeita definição do discurso público atual, que só consegue definir a rua e o Mundo se for em permanente oposição de duas extremidades longínquas e incompatíveis.

Já Passos Coelho tinha usado o "diabo" para assustar os portugueses, nos primeiros tempos do acordo de Esquerda que nos governa. E pouco existe de mais claro do que o "mal", tão perfeito na sua capacidade de ajudar uma pretensão de controlo pelo medo. Perante o belzebu, pouco há a fazer a não ser virarmo-nos para quem nos possa proteger. E se o "bem" impera, a vigilância sossega, a atenção diminui, a desresponsabilização acontece.

Ambos, o inferno e o paraíso, servem a mesma ideia de política, feita de simplificações e debates irrazoáveis, que esvaziam a discussão de realidade e que esquecem esta evidência: na Terra, nunca o paraíso e o inferno alguma vez existiram.

Jornalista