Opinião

#medo

São tempos estranhos estes, em que meninas de três e quatro anos, impelidas por mães e pais irresponsáveis ou influenciadas pelas filhas deles, ou por estarem imersas permanentemente em mensagens que lhes impõem padrões inatingíveis, passam os dias a compararem-se e a olharem-se ao espelho.

E é quase impossível evitar isto, por muito que se tente em casa combater este chocante estado de coisas: uma sociedade hipersexualizada e ultraembelezada, em que protagonistas que representam 0,01% da população ditam, do alto das suas esculturais e excecionais figuras, como todos devemos parecer.

Dir-se-á que sempre foi assim. O Mundo é dos ricos e se se é bonito (ou a versão conjuntural de bonito) tem-se maior facilidade em chegar a rico ou, pelo menos, a uma vida de protagonismo - o eterno e profundo desejo humano, a que as redes sociais deram oportunidade e rédea livre.

Mas tudo se agravou na última década. Não há sítio onde não haja uma mulher impossivelmente bonita ou um jovem irritantemente em forma a confrontarem-nos com a nossa triste normalidade. E pior é a mentira associada: para se ser excecional basta comprar um produto igual ao que qualquer um pode ter . Quem pode ser feliz assim, com a autoconfiança minada a cada passo do crescimento? Quem não vai cair nesta armadilha que nos montam a cada segundo? O que é que estamos a fazer aos nossos filhos?

* JORNALISTA

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