Opinião

#panteãofajuto

Em junho de 2016, a lei 14/2016 foi publicada em "Diário da República". O diploma incluía uma "alteração à lei 28/2000,(...) que define e regula as honras do Panteão Nacional".

O Parlamento decidiu - por unanimidade! -, Marcelo promulgou e no artigo 4 ficou estabelecido que a honra não pode ser concedida "antes do decurso do prazo de 20 anos sobre a morte das pessoas distinguidas". A intenção, meritória, era que uma homenagem tão significativa pudesse ser devidamente ponderada e considerada apenas depois do respirar da História. Para evitar pressas e pressões do imediatismo mediático, como tinha acontecido com Eusébio e Amália.

Mas apenas dois anos depois, PS e PSD apressam-se a alterar a lei unânime. Os laranjas querem que Sá Carneiro suba ao Panteão (o ex-líder do PSD morreu em 1980 e por isso o prazo é respeitado), e em troca, concordam que Mário Soares seja já trasladado. É fácil, pensaram as brilhantes luminárias que nos representam: as leis unânimes para impedirem precipitações servem é para serem mudadas à medida da excitação quotidiana. E pasme-se: Marcelo concorda, usando o extraordinário argumento de que a lei deve mudar porque "o Parlamento tem de definir regras que não tenha de mudar todos os anos". Se o ridículo matasse e desse direito a honras póstumas, não faltaria quem tivesse lugar cativo nesse fajuto Panteão.

*JORNALISTA

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