Opinião

#utopiadistopia

Gosto muito de ficção científica, mesmo que filmes como a saga Star Wars se tenham tornado quase sinónimo do termo, uma trágica consequência do efeito Hollywood: tudo em que toca vira infantilização maniqueísta e ubíqua. O Arthur C. Clarke, o Isaak Asimov ou o Phillip K Dick que os perdoem.

É isto a América, o estado de show permanente, sempre a simplificar, a fazer andar, a reduzir a nada tudo o que não interessa ao prosseguimento do espetáculo. Tudo o que complique uma tomada de posição: ou estás connosco ou não estás de todo.

Suponho que assim seja mais fácil. As nuances são difíceis. E, de qualquer modo, e nisso a América é a América, é tudo bastante mais divertido. As nuances só deprimem.

É por isso que só mesmo na América, e pela América, é que o lançamento de um foguetão em direção a Marte, cujos motores e outra parte da estrutura regressaram e aterram sozinhos (!), resultou em imagens de um boneco sentado num descapotável a ouvir David Bowie e com vista para o planeta Terra. Um feito daquela magnitude, que exigiu mais de meio século de investigação, estudo, experimentação, sacrifício e mortes, transformado numa patetice.

Enfim, com a América o futuro do Mundo é uma utopia, mas uma daquelas que são como uma distopia. Não é fácil explicar isto. Não sou americano e as nuances são difíceis. E deprimentes.

JORNALISTA

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