Opinião

#violência

Há duas semanas, a Revista do "Expresso" fez uma escolha estranha para título principal: "O fim da inocência americana". O tema era o novo filme de Quentin Tarantino, uma história sobre a Hollywood do final dos anos 60, marcada pelos crimes brutais de Charles Manson.

A escolha é peculiar porque essa década americana (como todas as outras) foi tudo menos inocente. A Guerra do Vietname, a contracultura de protesto pela paz, o movimento contra a segregação racial ou a Guerra Fria bem o demonstram. A América é um país nascido na violência, que vive da violência de Estado, que se garante pela capacidade da violência que apregoa e regularmente demonstra pelo Mundo. É por isso que a América acontece também quando Trump sorri quando visita órfãos que perderam os pais num massacre: é a banal existência de um Mal que não terá fim.

*Jornalista