Opinião

#máscaranochão

Só mesmo os portugueses conseguem ser rigorosos cumpridores de regras exatamente com a mesma força com que se exibem a vilipendiá-las.

Há uns anos, o português zeloso vestia o banco do condutor com um colete refletor, não fosse ser multado por não ter dentro do carro o equipamento, que passou a ser obrigatório. Ao mesmo tempo, esse compatriota muito atento ao novo Código da Estrada era capaz de circular a 80 km/h dentro das localidades, não parar nunca nas passadeiras ou estacionar em segunda fila para não ter de andar mais 10 metros.

O tempo passou e os portugueses guardaram o colete no porta-luvas, embora continuassem a quebrar praticamente todas as outras regras de trânsito. Este ano, têm um novo hábito, em linha com as recomendações públicas: pendurar a máscara sanitária no retrovisor, que é uma refrescante mudança em relação a outros objetos decorativos que costumam ser exibidos nesse escaparate. Portugueses que são, os meus concidadãos gostam de mostrar a todos que usam máscara. E portugueses que não deixam de ser, depois atiram a máscara toda suja para o chão. Uma vergonha, um embaraço e um triste tratado sobre o civismo nacional.

Jornalista

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