Praça da Liberdade

#ofutebolédetodos

No início de março, escrevi nesta coluna: "O futebol em Portugal cresceu como uma doença, um cancro nacional, lamentável e triste, digno de dó e de um constrangido encolher de ombros, como quem espreita pela janela de um hospício". Enganei-me.

É muito pior do que isso. Visto pela televisão, que é o campo onde agora os jogos são disputados - os gritos valem mais do que um golo - a vergonha alheia transformou-se em rejeição. Já não é constrangimento, é repugnância.

Também é preciso sublinhar que a violência no futebol não nasceu esta semana, nem é um exclusivo português. A lista de episódios de demonstração bárbara de agressividade relacionada com o pontapé na bola é longa e triste. E não consta que o maior jogo do Mundo tivesse sido alguma vez disputado, apoiado e seguido apenas por gentlemen de fraque e flor na lapela, enquanto tomam um chá em relvado inglês. Nem que estivesse imune ao crime, à corrupção e ao desvio de dinheiro. Não chegaram cá as notícias sobre os hooligans ingleses ou russos, o "Calciocaos" ou os casos de corrupção na FIFA?

E é por isso que só por incúria e falta de coragem, ou mais concretamente por covardia, é que os envolvidos, responsáveis, autorizados, autorizadores e demais assobiadores para o ar profissionais deixaram, ou quiseram, que em Portugal se chegasse a este ponto.

Ao ponto do suborno, em que uns sequestram para si esta alegria do desporto, que devia ser de todos.

* JORNALISTA

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