Opinião

#osucesso

Este país é bom, tão bom que quase conseguiu transformar em mártir Dias Loureiro, um cavaquista cujo único talento que se notou foi o de conseguir amealhar, de 2000 a 2007, 12 milhões de euros -, números do Ministério Público, que decidiu arquivar o caso em que o acusava de burla e branqueamento de capitais no BPN. O talentoso especialista na reputada tecnologia de ponta made in Porto Rico, depois de saber a notícia vinda do DCIAP, reagiu dizendo, sem se rir, que foi tudo inveja contra o seu sucesso.

Dos procuradores, que depois de oito anos a investigar e a lançar suspeitas nos jornais afinal não tinham nada para mostrar, tem de se dizer que deram a mãe de todos os tiros nos pés. Mas como lembrou Manuel Carvalho no "Público", a Dias Loureiro, ainda que tenha razões de queixa do MP, é preciso explicar o significado da palavra sucesso. Sucesso não é inventar negócios com empresários duvidosos e obter resultados ruinosos, nem enriquecer a trabalhar num banco que faliu, com graves consequências para o país, e que já custou ao país - alguém sabe quantos? - milhares de milhões de euros. Se a falta de vergonha desse direito a medalhas, Portugal seria um país cheio de gente bem sucedida.

* JORNALISTA

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG