Opinião

#salvação

Fiquei bastante feliz com a notícia de que Helena Almeida vai estar em exposição permanente na Tate Modern este ano. Não sabia sequer que o museu era já detentor de várias obras da artista portuguesa, que expôs em Serralves em 2015-2016 e que muito me interpelou nessa exposição. Foi das melhores coisas que vi nas paredes de um museu e não é fácil sequer explicar porquê. Não sinto grandes remorsos por aqui deixar assente essa incapacidade para dizer da importância de Helena Almeida, ou dessa mostra que vi, "A minha obra é o meu corpo, o meu corpo é a minha obra". Fica esse intricado trabalho para as mãos da crítica profissional, profissão que muito critico, embora dificilmente poderia viver sem que existisse.

Mas sei da emoção que senti ao ver aquelas fotografias - se é que são realmente fotografias. E fiquei feliz porque foi na Tate que vi, pouco tempo depois, outra das exposições que mais me comoveram, uma coleção retirada dos volumes "Toshi-e" e "Toshi-jin", fotografados em Tóquio nos anos 70, do incrível fotógrafo Yutaka Takanashi, que esperei anos para ver.

É difícil estar perto do belo, especialmente a beleza tão desconcertante, por tão simples. Reduz-nos, primeiro, porque há crueldade na simplicidade bem-sucedida. Engrandece-nos, depois, porque nos eleva acima das minudências do Mundo. Redime-nos do desperdício.

É a arte, não a religião, que nos salva. E com a grande vantagem de ser a tempo de haver ainda o que salvar.

* JORNALISTA

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