Opinião

Meia bola e a meia força

Meia bola e a meia força

Entre a meia bola e a meia força nas Caxinas, o F. C. Porto entrou mar adentro, foi e não voltou. Tentou, abnegadamente e sem ponta de sorte, regressar para costa firme mas o "penalty" falhado por Taremi colocou uma âncora no jogo: a vitória não fugiria ao Rio Ave. A primeira vitória dos vila-condenses na Liga acontece à custa do seu indiscutível mérito e eficácia, mas também do naufrágio precoce de uma equipa que, uma vez mais, entrou no jogo incapaz de o segurar, sem o atar ao controlo, displicente e minguada de ideias, a ver o que a partida ia dando e o adversário fazendo. Uma primeira parte horrível que sentenciou o jogo num inusitado 3-0 a meio caminho, algo que não sucedia desde 1975. As três más entradas em jogo nas três primeiras jornadas tiveram, agora, uma interminável longa-metragem de 45 minutos. Tudo o que viria a seguir, viria a ser tarde demais. O Dragão procura, este ano, a síntese das cinco épocas de Conceição no F. C. Porto. Sem a força dos anos de Marega, sem a magia de Corona ou Luis Díaz, sem a fluência de bola de Vitinha. O equilíbrio terá de ser conseguido no futebol que já se viu a espaços, que sendo uma síntese não pode ser um meio termo. No entretanto, enquanto se ajusta e procura ultrapassar a orfandade de fluidez no centro do terreno, este F. C. Porto é, algumas vezes, de meia bola e de meia força. O reforço que tanto se pede, é mesmo o de um "box-to-box" que jogue com Uribe e deixe Uribe jogar. Defensivamente, as opções laterais são mais capazes no momento ofensivo do que defensivo, o que faz a velocidade dos centrais entrar no ângulo do debate. Só Conceição saberá qual o momento de entregar outra companhia a Pepe. Dar a volta, confiança. Até ao próximo jogo, em Barcelos, vai uma eternidade.

A força e o querer da equipa, na segunda parte, mostrou que a entrada em jogo deveria ter sido diferente. O F. C. Porto tem que ser impositivo e não reactivo. Tarde demais para dar a volta mas um lembrete sobre a atitude a ter para memória futura.

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A incapacidade para a equipa perceber, em tempo real, o que estava a acontecer no jogo. Mole e dolente, foi aflitivo ver o F. C. Porto que entrou em Vila do Conde. As ideias estavam tão arrumadas que nem se viram.

o autor escreve segundo a antiga ortografia

*Adepto do F. C. Porto

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