Opinião

Regressar à mudança

Mudar para insistir num modelo que não perca a ideia de jogo e sustente um recomeço. Cinco alterações no onze e sem losango. Nada que Sérgio Conceição não tenha já feito por múltiplas vezes. Alterações que, neste caso, lhe permitiram chegar à vitória número 200, assegurando um bom par de opções para o futuro próximo. O jogo de amanhã frente ao Atlético, osso duro e a doer em Madrid, dirá o quanto as opções de Barcelos foram realizadas em razão da táctica ou em razão da gestão de esforço. Certo é que, depois do jogo pavoroso em Vila do Conde, algo tinha de mudar. Impunha-se. E assim o F. C. Porto se impôs ao Gil Vicente desde o primeiro minuto, numa entrada convincente, algo que ainda não havia conseguido em nenhum encontro desta Liga.

Lateralizar na defesa, no futebol moderno, também significa projectar em ataque. Tanto Pepê como Wendel conseguiram chegar à frente com critério, embora custe abdicar de Pepê onde ele pode fazer a diferença (sobretudo enquanto Otávio, sempre abnegado e indiscutível, recupera a sua influência a 90 minutos). David Carmo, naturalmente inquieto na estreia, incorpora a rapidez que permite aos laterais subirem. Eustáquio, também uma boa novidade a titular (e logo com duas assistências para golo), precisou de meia hora para perceber como, quando e onde Uribe gosta de jogar a sós no seu raio de acção. Toni Martínez, a justificar a titularidade que lhe escapava há cerca de um ano, marcou dois golos anulados por centímetros, reforçando a ideia de que a eficácia é uma sua "trademark". Galeno, repentista e desequilibrador, parece estar cada vez mais integrado no "jogo adulto" da equipa, confirmando que começa a ser peça chave no 11 e não só a partir do banco. Regresso às vitórias. Tudo muda bem quando acaba bem.

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Positivo: Taremi mostrou porque pode jogar de trás para a frente sem perder o sentido de área. Inteligência. Marcou, pleno de oportunismo e qualidade, mas na retina ficaram várias assistências e passes que fizeram a equipa jogar mais e melhor.

Negativo: Os centímetros não podem ser contestados quando dá jeito. Mas Toni Martínez, vertical, espontâneo e certeiro no remate, bem merecia aqueles golos anulados por 9 e 45 cm (neste último caso, parecendo até estar mais em linha, estranhamente).

O AUTOR ESCREVE SEGUNDO A ANTIGA ORTOGRAFIA

*Adepto do F. C. Porto

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