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Opinião

Suspensão artificial 

Suspensão artificial 

A última e inusitada paragem competitiva no futebol português aconteceu a 12 de Março de 2020. Pode parecer longínquo, o tempo das incertezas em que o Mundo mudou, quando o surto epidémico da covid fez parar as competições por quase três meses.

Agora, durante o mês e meio que nos separa do regresso da Liga, voltamos a sentir um período de suspensão artificial. O Mundial de Inverno europeu bate à porta e a doença na atribuição da competição ao Catar dá lugar à perpetração de um crime. F. C. Porto e Benfica são obrigados a suster o ímpeto na melhor fase do seu futebol e, ao contrário do que sucedeu no passado, ambos saem a ganhar convincentemente na última jornada (em 2020, com um ponto de diferença na classificação, dragões e águias empataram antes da pausa).

A solidez que o F. C. Porto revelou no "derby" da Invicta já se tinha feito sentir nos jogos com Atlético de Madrid e Paços de Ferreira no Dragão. Mas a prova de fogo do Bessa servia-se com acento agudo na pronúncia: caso perdesse pontos, a luta pelo título ficava definitivamente comprometida. A ausência de margem de erro pode afunilar a preocupação e temor ou servir de reforço e pressão positiva. Aparentemente, o F. C. Porto está a lidar bem com a necessidade de encurtar o prejuízo que cavou para a liderança. A chave do cofre é guardada por Uribe e transmitida a Eustáquio, desbravando tesouros à entrada do segundo terço do campo. Com a estabilização do sector defensivo que a entrada de Marcano e as subidas de forma de Wendell e Fábio Cardoso permitiram, olha-se para Diogo Costa e vemos um espelho de confiança. Na frente, Otávio é senhor de um futebol completo que Pepê rendilha, Galeno estica e Taremi/Evanilson concretizam. O que a paragem trará de novo a esta Liga, ninguém sabe. Mas será impensável que o F. C. Porto deixe de dar luta até ao final.

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A subir
O tempo de entrada é fundamental para qualquer jogador, mas para um central é decisivo. O regresso de Pepe vem mais do que a tempo para colocar o central de 39 anos na rota da titularidade do Mundial. A selecção agradece.

A descer
A paragem do futebol português é uma ilusão. A Taça da Liga está pronta a cumprir, agora em pleno, o desígnio de rotatividade. Permitir que se jogue em pleno Mundial é um atestado de menoridade que sustenta as muitas dúvidas quanto ao futuro da competição.

*Adepto do F. C. Porto

(o autor escreve segundo a antiga ortografia)

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