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Opinião

A culpa é nossa

As decisões do processo de instrução da Operação Marquês chegaram à opinião pública com estrondo.

O ambiente de culpabilização dos arguidos estava criado há muito tempo, a decisão contrária à expectativa geral levou ao espanto popular e ao julgamento público, agora, dos agentes da justiça.

Não partilho dessas visões. Confio que quer o Ministério Público, quer o juiz Ivo Rosa fizeram o melhor que sabiam e podiam.

Porém, não deixei de ser impactado com a decisão e formei uma triste convicção: é quase impossível alguém ser preso por corrupção em Portugal.

Tenho perfeita noção da dureza desta afirmação, mas existe uma importante nuance, não atribuo a culpa à justiça. A culpa é dos políticos.

De forma cíclica e superficial discute-se no nosso país novos mecanismos de combate à corrupção, que nunca passam de boas intenções.

A criminalização do enriquecimento ilícito e a regulamentação do lóbi são exemplos maiores destas políticas que teimam em sair da gaveta. E assola-nos a pergunta, porque não avançam os políticos com estas legislações? Parece que têm medo, não entendo.

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E sejamos claros, a política tem má imagem e pouco faz para a inverter. Apesar da grande maioria dos políticos serem gente séria e dedicada à causa pública, não se protegem. Não legislam, não atuam no sentido de separar o muito trigo do pouquíssimo joio.

A política tem de mudar, os políticos têm de mudar. Não podemos continuar a enfiar a cabeça na areia ou a assobiar para o lado. Aumentar a transparência, criar legislação que seja verdadeiramente eficaz contra a corrupção, aumentar as incompatibilidades e, consequentemente, as remunerações, regulamentar o lóbi e criminalizar o enriquecimento ilícito, é o caminho.

Não são medidas novas. Não são medidas inéditas. Não são medidas impossíveis. São medidas simples e concretas. E a sua aplicação depende unicamente de nós, políticos.

A culpa é nossa, mas a solução também.

Engenheiro e autarca do PSD

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