Opinião

O dilema de Costa

O trágico acidente ocorrido com o carro que transportava o ministro Eduardo Cabrita trouxe novamente à discussão a necessidade premente de substituir este ministro.

Porém, aquilo que é por demais evidente não se revela fácil para o primeiro-ministro. Talvez pela conhecida teimosia de Costa mas também pela questão que esta decisão tem associada.

Como substituir Cabrita e não alargar a praticamente todos os ministérios? Como poderá António Costa remodelar somente uma ou duas pastas, quando o Governo é genericamente tão mau? São demasiados casos, que voltarão por certo à ribalta, quando numa futura remodelação, António Costa optar por manter alguns dos seus ministros.

Poderá António Costa manter a ministra da Saúde esquecendo a desastrosa gestão da pandemia e os 14 000 mortos do início do ano? Como pode branquear as investigações que o ministro do Ambiente é alvo, bem como as declarações do ex-secretário de Estado Jorge Costa Oliveira? Como ignorar a vergonha internacional que a ministra da Justiça provocou com a nomeação do procurador europeu? Como saltar o elefante na sala da Defesa que é o novo Hospital Militar? A desastrosa gestão do dossier TAP permitirá a Pedro Nuno Santos continuar em voos governamentais? A gestão das pastas da Educação e do Ensino Superior não mandará os titulares das pastas de volta à escola? E os desconhecidos e inoperantes ministros do Mar, do Planeamento, da Coesão Territorial, da Agricultura, da Modernização ou da Cultura continuarão desaparecidos no Governo e no país?

Mais de dois terços dos ministros estão desgastados, desaparecidos e são politicamente irrecuperáveis a curto prazo. Tenho a certeza que um político experimentado como o nosso primeiro-ministro tem perfeita noção do que elenquei, porém defronta um difícil dilema:

Remodelar, assumindo tacitamente que tem um muito mau Governo, ou continuar a governar com tão maus ministros, somando novos casos, trapalhadas e ineficiência?

Engenheiro e autarca do PSD

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