Opinião

Um acidente aéreo

Durante um dia normal de trabalho, recebo um email de um "head hunter" internacional. Embora feliz com a minha situação profissional, gosto sempre de avaliar como está o mercado e o quanto me valorizam.

A resposta, dada por motivos de curiosidade, tornou-se num assunto sério. A proposta parecia tentadora. Ponderei, falei com a minha família e decidi arriscar. Passei por um longo processo de seleção e fui escolhido.

Estava entusiasmado, tinha um novo desafio e ia mudar toda a minha vida para o vencer.

Os valores foram negociados e voei até ao meu novo destino.

Mas ao lá chegar, tive de recuar. Tinha o salário negociado, tinha o cargo prometido, mas não tinha condições para cumprir a minha função. Não podia contratar ninguém da minha confiança, não podia definir a estratégia, não tinha asas para voar. Queriam que eu fosse somente um enfeite na sala de reuniões.

Não podia aceitar e assim tive de recuar na minha decisão.

A verdade é que esta história não é minha, aliás, ela foi totalmente inventada. Porém e pelo que vamos sabendo, será muito similar aos últimos meses de Albrecht Binderberger, o alemão que era apontado como futuro CEO da TAP e que esta semana, se soube, recusou o cargo por não ter as condições de gestão necessárias para o exercício de um mandato de qualidade.

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Depois de 9 meses com um CEO interino, diminuído pela situação transitória, e passando por uma enorme crise no setor da aviação, ainda não é desta que a TAP terá novo comandante.

Isto numa semana em que tivemos conhecimento que 1230 milhões voaram em prejuízos. 450 milhões do nosso dinheiro, fazem já check-in para embarque na companhia. Cerca de 500 trabalhadores estão já a aterrar no desemprego.

Temos cada vez mais a certeza que o próprio ministro Pedro Nuno Santos comanda diretamente este avião, mas continua sem rota e sem perceção do que nos trouxe até este acidente aéreo, a sua privatização ideológica.

*Engenheiro e autarca do PSD

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