Opinião

Elogio dos jotinhas

Ouvimos constantemente receios e críticas sobre uma alegada apatia política dos jovens e apelos à sua participação política.

Mas, ao mesmo tempo, aqueles que participam nos partidos políticos arriscam ser imediatamente desqualificados e apelidados de carreiristas. Isto desincentiva muitos a escolherem os partidos políticos como forma de participação política. Sendo assim, não deixa de ser surpreendente que alguns dos quadros mais interessantes que tenho conhecido no meu partido estão na "jota" ou vêm da "jota". Isto não quer dizer que tudo esteja bem nas juventudes partidárias (incluindo a do meu partido). Apenas reforça a minha convicção de que os partidos, com as suas formas atuais de organização interna, tendem a atrair os melhores dos melhores (aqueles que são, não apenas qualificados e competentes, mas interessados na causa pública) e os piores dos piores (aqueles que apenas veem nos partidos um atalho para emprego e poder). Como atrair e valorizar os primeiros e excluir os segundos deve ser prioritário.

Isto exige abrir os partidos a mais participação. Um dos problemas resultantes da reduzida militância política é o risco de captura dos partidos. Primárias abertas (permitindo a participação de simpatizantes) são um caminho, mas não são suficientes. Enquanto a nossa democracia for assente nos partidos (e não há, para já, melhor alternativa) é fundamental alargar a militância nos partidos. Um erro comum - simétrico ao caciquismo e aparelhismo - é achar que um partido se abre e renova apenas candidatando independentes. É um equívoco, na origem da figura do "independente de partido" (os que fazem toda uma carreira política na quota dos "independentes"). Não sou contra convidar independentes. Apenas entendo que é ainda democraticamente mais importante medir a capacidade de renovação e abertura de um partido político pela sua capacidade de atrair novos militantes e de renovar os seus quadros e lideranças.

A renovação geracional operada por Rio nos cabeças de lista do PSD é um ponto de partida. A crítica de que têm pouca visibilidade não faz sentido. Não se pode passar o tempo a pedir caras novas e, quando elas aparecem, queixar-se de que ninguém as conhece. Mas renovar não basta, é um meio e não um fim. Primeiro, estará sempre dependente da qualidade dos escolhidos. Segundo, a renovação não pode ser apenas de caras mas de responsabilidades e lideranças. Só assim corresponderá ao reconhecimento do papel devido a uma nova geração. Como ouvi esta semana a um jovem (João Marecos) num programa sobre essa geração (A minha geração, de Diana Duarte): os jovens não devem ser convidados por serem jovens mas pelo que têm a dizer. É um bom começo dar palco a uma nova geração. Ouçamos agora o que têm a dizer.

Professor universitário