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Nuno Botelho

Desgoverno, esperança e tolices

Pandemia. Vivemos em estado de emergência. No primeiro dia de recolher obrigatório, o chefe do Governo dá uma entrevista à TVI e explica o conceito: "Saia, mas em segurança". Onde a lei determina proibição, a mensagem de António Costa relativiza a exceção. É difícil conceber tanto desnorte e contradição (proíbem-se mas já não proíbem as feiras; proíbem-se mas já não se proíbem as idas aos supermercados). Não admira que os setores da restauração e do comércio se indignem e reclamem compensação. Quando, em tempo de calamidade, o Governo se mostra fraco e inseguro, é o Estado que perde autoridade. Nenhum país, nenhum Governo e nenhum hospital estava preparado para a pandemia. O suposto seria que a primeira vaga tivesse trazido experiência e saber para lidar com a segunda. O nosso Governo, porém, "não estava a contar" que ela viesse tão cedo. Ouve-se e não se acredita que não tenha aprendido que a principal característica desta doença é a sua imprevisibilidade.

Nuno Botelho

Três dramas dos nossos dias

O estado da TAP. A providência cautelar que a Associação Comercial do Porto colocou em tribunal pretende impedir o Estado de financiar (com o dinheiro dos nossos impostos, não se trata de fundos comunitários) uma companhia aérea falida (que é privada, tem uma gestão privada e não presta serviço público). Queremos poupar 1,2 mil milhões de euros ao erário público. Queremos evitar o desperdício de uma verba astronómica (equivalente à construção de 46 alas pediátricas do Hospital de S. João). Não é uma questão do Porto ou do Norte. Temos recebido o apoio de personalidades e instituições de todo o país. E o problema nem é só a TAP. O problema são quarenta anos de má gestão, absurdas opções estratégicas do Estado e a centralização do investimento no mesmo sítio de sempre.