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Opinião

A força do Norte que puxa o país

A força do Norte que puxa o país

Finalmente o povo está nas ruas, nas esplanadas e nas praias. E o quanto precisávamos destes sinais para começar a recuperar a confiança. O Porto e o Norte dão o exemplo e estão na primeira linha. Puxando pelo país inteiro.

Não há motivos para festejos, que seriam prematuros, nem para nos darmos por despreocupados - a situação económica e social é muito grave e a recuperação será dolorosa. Mas vermos, como temos visto de Ovar a Viana, do Porto a Bragança, as fábricas que retomam em força a produção, as longas filas que se formam à porta das lojas ou a restauração adaptar-se às novas regras e a recuperar clientes, é sinónimo de resistência e de esperança. Como sempre sucede que é necessário - como aliás aconteceu nos anos duros da troika -, a força empreendedora, empregadora e exportadora do Norte de Portugal aponta o caminho da retoma.

Ironia do destino pensar naqueles que nos queriam impor cercas sanitárias ou que procuravam explicar epifenómenos de contágio com o atraso e a suposta menor instrução dos nortenhos. Infelizmente Lisboa e Vale do Tejo são agora a zona do país que motiva maior preocupação, concentrando 90% dos novos casos de covid-19. Mais ainda quando se trata da região que tem a maior concentração nacional de serviços públicos e, como tal, de funcionários em regime de teletrabalho. Esperemos que o regresso destes milhares de pessoas às suas atividades não represente um agravamento do quadro da pandemia, o que seria dramático.

Nenhuma região pode ficar para trás. Em termos de saúde pública, é importante que a situação de Lisboa normalize rapidamente. Quanto à economia, é fundamental que não sejam apenas as empresas do Norte a retomar e que o país no seu todo volte ao trabalho.

Nota da semana I: Ninguém pergunta ao Ministério e à Direção-Geral da Saúde qual o real impacto da manifestação da CGTP no 1.o de Maio no aumento de casos positivos em Lisboa e em Setúbal? É por vergonha?

Nota da semana II: A revolta do Norte com o dossier TAP. Como há dias sugeri em entrevista ao Porto Canal, o Governo devia "municipalizar a empresa e entregá-la à Câmara de Lisboa".

Empresário e Presidente da Associação Comercial do Porto

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