Opinião

A hora da economia

As finanças estão de volta ao debate. Um bom sinal para a saúde pública - dentro do espírito de que o pior já passou - mas nem por isso grande augúrio para Mário Centeno. Quando era preciso que estivesse em forma, o "Ronaldo" do Governo tem-se destacado pelos falhanços.

Em três tempos. A primeira avaliação oficial ao custo do lay-off foi de mil milhões de euros, para, dias depois, passar a um máximo de 400 milhões. Mesmo assim, quando abril chegou ao fim e era suposto pagarem os encargos públicos do lay-off, as finanças não conseguiram fazer as transferências. Que, ainda à data de hoje, não estão totalmente processadas. Veio depois o episódio da falha de comunicação em torno da injeção de 850 milhões no Novo Banco, fazendo António Costa passar uma vergonha no Parlamento.

Com entrevistas e justificações, o ministro procura explicar-se. Porém, tem passado ao lado do essencial e do incontornável: a estrela do Governo chama-se agora Pedro Siza Vieira e não manda apenas na economia. Mantendo o paralelismo, Siza Vieira, não sendo tão explosivo e espetacular como "Ronaldo", é muito mais um homem de equipa, capaz de jogar em todo o campo e de ajudar os colegas.

A meu ver, a boa notícia é a confirmação da mudança de rumo deste segundo Governo de António Costa. Mudança que vem de outubro passado, com a promoção de Siza a ministro de Estado e a número dois da hierarquia. O que dita necessariamente uma linha política menos centrada na inflexibilidade orçamental e mais nas empresas e na economia real, menos focada no facilitismo das cativações e mais no apoio ao investimento produtivo e às exportações. Por outras palavras, um Governo que primeiro aposta no potencial dos portugueses e só depois nas eventuais simpatias de Bruxelas.

Quando estamos a atravessar a maior recessão de que há memória, temos que trabalhar para que ela seja curta, para que os danos não sejam muitos e para que fiquem ultrapassados o quanto antes. E isso é bem mais provável com Siza do que com Centeno. Com outra vantagem: com Siza, moderam-se as tentações da ala radical do PS. Dentro e fora do Governo.

* Empresário e Pres. Ass. Comercial do Porto

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