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A salvação do Coliseu do Porto

A salvação do Coliseu do Porto

Há dois meses e nesta mesma coluna do nosso "Jornal de Notícias", vim alertar para o estado de perigosa degradação em que se encontra o Coliseu do Porto e para a necessidade urgente de a cidade encontrar uma solução para o salvar. Sempre atenta à opinião e à sensibilidade das forças vivas, a Câmara Municipal veio rapidamente propor uma saída: a concessão do Coliseu.

Presidindo eu a uma instituição gerada no liberalismo e sendo um forte defensor da iniciativa privada, não me choca de todo o modelo de concessão. Claro que tem ser devidamente apresentado, aprofundado e detalhado. Mas, apesar da superficialidade do que é conhecido, estou em crer que será um bom caminho. Desde que fiquem, como têm de ficar, salvaguardados e protegidos os princípios da sã concorrência (a legalidade e o funcionamento do mercado), os direitos dos trabalhadores e a posição dos proprietários (as dezenas de membros, dos individuais anónimos às empresas e entidades, da associação Amigos do Coliseu).

Seguramente que haverá quem questione porque não pode um município que se orgulha de apresentar o maior orçamento da sua história (mais de 300 milhões de euros) e o menor grau de endividamento de sempre (quase zero) investir 8,5 milhões na reabilitação de um dos maiores ícones da cidade, representação perfeita da sua identidade e caráter. A questão é boa mas não deixa de ser lateral. O mais importante, face ao estado a que o edifício chegou, é encontrar uma solução e começar as obras. E, desde logo, evitar o encerramento forçado de portas por motivos de segurança, no que seria certamente o seu fim.

A garantia de que o Coliseu continuará a ser o palco da excelência e do ecletismo artístico da nossa cidade, o ponto de encontro de distintas formas de expressão cultural deve ser, para mim, prioridade incontornável. Que é e continua a ser uma marca de diversidade e de abertura de fronteiras, não deixando nunca de ser uma marca cimeira do Porto. Popular e cosmopolita, como a cidade. E nosso.

Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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