Opinião

Alerta vermelho no turismo

Alerta vermelho no turismo

O caso é muito grave. O Turismo do Porto e Norte tem a sua atividade quase paralisada devido às cativações impostas pelo Ministério das Finanças. Não há dinheiro para pagar despesas correntes de funcionamento e os postos de Turismo do Aeroporto e de S. Bento vão ter de fechar portas.

Já depois de aprovado o Orçamento do Estado, o Governo congelou verbas do Turismo do Porto e Norte, uma entidade regional pública, cativando na totalidade as rubricas destinadas a funcionamento e a promoção turística. Consequência direta e imediata: o encerramento dos balcões turísticos mais visitados - dada a ausência de fundos para pagar eletricidade, comunicações ou limpeza -, obrigando os funcionários a ficarem em casa.

É extraordinário perceber-se que a região onde o turismo mais cresce - o Norte, com o Porto à cabeça -, fica sem ferramentas indispensáveis à promoção do destino e ao acolhimento a quem nos visita. É mais extraordinário ainda concluir-se que tal sucede apenas em funções de cativações irracionais, feitas sem qualquer ponderação.

O mesmo Governo que entende ter disponibilidade para comprar metade da TAP, corta as verbas que permitem receber e informar turistas na loja do Aeroporto do Porto. As cativações orçamentais são um mecanismo, muito discutível, de controlo da despesa pública. Naturalmente, são ainda mais discutíveis quando se aplicam aos setores da saúde ou da educação - com as consequências por vezes dramáticas que se conhecem -, até porque atingem as franjas mais necessitadas da população.

Aplicar cativações cegas e irracionais a um organismo que tem por missão a promoção turística (no caso, do Porto e do Norte) é um reflexo do centralismo do Estado e vem colocar em causa aquela a que chama, sem especial exagero, a nossa "galinha dos ovos de ouro". Julgo que nem com muita imaginação se poderia transmitir sinal mais errado aos agentes económicos.

O turismo vale perto de um quinto das exportações portuguesas e quase um décimo do PIB. Garante por si só uma balança comercial positiva e é o setor que mais emprego cria em Portugal. O país designado "melhor destino do Mundo", com uma cidade, o Porto, três vezes eleita "melhor destino europeu", é o mesmo que não tem dinheiro para manter duas lojas de turismo a funcionar? É. A agenda dos partidos que suportam o Governo é sempre favorável à reposição de direitos e à reversão de medidas de austeridade. Pois este é o momento de se reverter o congelamento orçamental sobre o Turismo do Porto e Norte.

*EMPRESÁRIO E PRES. ASS. COMERCIAL DO PORTO