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Douro: um património distinto

Douro: um património distinto

Cumpriram-se, no dia 14 de dezembro, 20 anos sobre a consagração do Douro como Património Mundial da Humanidade. Um acontecimento histórico e transformador, para um território que reclamava, mais do que mera preservação, um impulso de modernidade na viragem do século. Impulso, esse, bem interpretado por um conjunto de personalidades e entidades gradas da Região Norte, em que se incluía a Associação Comercial do Porto.

O Alto Douro Vinhateiro viu, assim, ser-lhe conferido o estatuto de marca global que ultrapassa as fronteiras da produção vitivinícola e da paisagem agreste, moldada pelo homem. Como dizia, com propriedade, Bianchi de Aguiar numa edição de "O Tripeiro" de 1999, tratava-se de assegurar que aquele singular território fosse lembrado "ao nível emblemático da Muralha da China". Uma comparação ousada, mas feliz, que diz bem da visão estratégica exibida pelos promotores da candidatura.

A realidade é que o Douro ganhou muito nestas duas décadas e atingiu a maturidade que só os grandes produtos podem atingir. E por "produto", refiro-me desde logo ao vinho, cuja qualidade e diversidade são significativamente maiores, contribuindo para que seja uma região produtora de excelência; mas também ao território que acordou para o turismo, dispondo hoje de uma oferta incomparável com o período anterior à distinção da UNESCO.

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No entanto, para ser uma Paisagem Cultural Evolutiva e Viva, a região precisa de garantir a melhoria contínua dos seus produtos e do património pré-existente. É, pois, fundamental, que não continuem engavetados investimentos como a eletrificação da linha do Douro, cuja extensão se ficou pelo Marco de Canaveses; ou que seja efetivamente cumprida a promessa ministerial de reabrir a mesma via-férrea até Barca d"Alva, o que seria um inegável valor acrescentado; ou ainda que se desbloqueie o Plano de Mobilidade do Tua, permitindo que o investimento cresça Douro acima.

Citado novamente Bianchi de Aguiar, "será bom para a humanidade que o Alto Douro Vinhateiro seja estimado e desenvolvido". Enquanto continuadores deste legado, é nossa obrigação assegurar que esse é o caminho a seguir.

*Empresário e presidente Associação Comercial do Porto

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