Opinião

El Corte Inglés: o regresso da vida à Boavista

El Corte Inglés: o regresso da vida à Boavista

Finalmente, avança o projeto do El Corte Inglés na Boavista. Digo finalmente porque se trata de algo decisivo para a reabilitação de uma importante zona da cidade, trazendo vida e modernidade à envolvente e atenuando a pressão sobre a Baixa.

O Porto vive um período de vigor, com reflexos na reabilitação urbana, na criação de emprego, no crescimento do turismo e na geração de riqueza. O El Corte Inglés é um empreendimento adiado há quase 20 anos, deixando vazia uma importante fatia de terreno na Rotunda. Que, embora propriedade pública, nunca teve utilização comunitária ou de lazer. Rejeitados por Rui Rio, como se sabe, os espanhóis acabaram por construir o seu armazém em Gaia.

Agora, o retomar do projeto desta superfície comercial é significativo e relevante. Significativo porque traduz a capacidade de atração da cidade e demonstra a pujança da economia regional. Relevante porque a loja do El Corte Inglés constitui uma âncora de revitalização urbana e comercial. É, antes do mais, uma alavanca de dinamização social, no coração de uma área que está deprimida e fragilizada. Todos nos lembramos do que foi o comércio da Rua de Júlio Diniz, dos cinemas do Cidade do Porto (e, antes, do Brasília) e do verdadeiro centro de serviços que era o troço inicial da Avenida da Boavista. O Mundo mudou, o Porto transformou-se e esta centralidade perdeu-se. Mesmo a Casa da Música e o metro não são antídotos suficientes para devolver a vida e charme à Rotunda. O El Corte Inglés será o primeiro passo nesse sentido, arrastando em seu torno mais investimento e mais emprego.

Com a Baixa próxima de ver o seu potencial esgotado, a cidade precisa de recuperar a sua segunda centralidade, até por uma questão de ordenamento e mobilidade. Tal como no passado, a Associação Comercial do Porto defende o interesse de um empreendimento desta natureza. Claro que impactos porventura excessivos devem ser mitigados, mas, de resto, um El Corte Inglés (ou equiparado) na Rotunda significa que estamos a fazer a cidade. E que a estamos a fazer com pessoas dentro. Isso é sempre bom.

Empresário e Presidente da Associação Comercial do Porto

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