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Exige-se mais para travar o tráfico de droga

Exige-se mais para travar o tráfico de droga

A chaga social que representa o fenómeno do tráfico de droga não justifica tréguas. Nem idealismos. Como sociedade e intervenientes cívicos, devemos fazer tudo o que está ao alcance para travar este flagelo, se possível erradicá-lo. Nunca tolerá-lo.

E, por isso, esteve muito bem a Câmara Municipal do Porto em propor ao Estado central que seja criminalizado o consumo de droga na via pública, porque ele constitui, não apenas uma ameaça à segurança dos cidadãos, como um perigo para a saúde pública e um fator de instabilidade social.

Impedir o consumo na rua é um passo importante. Não vai eliminar seguramente o tráfico, mas vai dissuadi-lo. E permite, por outro lado, que não se perpetue o chocante espetáculo a que se vai assistindo em diversos locais da cidade do Porto, designadamente em frente a várias escolas, confrontando as nossas crianças e adolescentes com esta triste realidade.

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Iniciativas recentes como o desmantelamento de um mercado de droga a céu aberto, na zona da Pasteleira, seriam mais eficazes se aliadas a uma ação coerciva permanente. Assim, limitam-se a dispersar o consumo de droga por outras áreas da cidade, fazendo alastrar o flagelo, em vez de o conter. No mesmo sentido, a proibição reforçava o bem-sucedido projeto da sala de consumo assistido, cujos resultados foram apresentados também por estes dias.

Perante este quadro, não deixa de espantar a indulgência com que a Administração Interna vai lidando com o fenómeno, não intervindo com a força que a lei lhe garante e deixando que o crime prospere nas ruas. Prova desta atitude é uma espécie de estado de letargia permanente das nossas forças de segurança pública, que continuam remetidas às esquadras e gabinetes, sem estarem onde deviam intervir.

Neste, como noutros temas, vamos assistindo à total incapacidade de resposta do Estado às populações, não atuando a montante e com os meios que tem ao seu dispor. Perante esta desresponsabilização, as autarquias e os agentes locais ficam entregues a si próprios. É, por isso, fundamental, que surjam estes gritos de alerta, porque devemos ser muito mais exigentes, com quem é tão ávido a arrecadar recursos e tão escasso na melhoria dos serviços públicos.

*Presidente Associação Comercial do Porto

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