Opinião

Cumprir calendário ou partir para outra?

A legislatura termina daqui a mais de um ano e apenas em setembro/outubro haverá eleições. Sucede que o Governo executou o essencial do seu programa. Se há coisa de que António Costa não pode ser acusado - infelizmente, em alguns casos -, é de não ter honrado a generalidade dos compromissos acordados com os seus parceiros de maioria parlamentar.

Um Governo esgotado e sem programa já não pode ser um bom Governo. No poder, como em outras áreas, a ausência de objetivos conduz à inércia e é propícia ao disparate. O Governo passará o ano e pico que lhe resta sujeito à pressão do PCP, do BE e do PAN, à criatividade das suas propostas e ao impacto destas nas contas públicas. Voltaremos a ouvir falar de animais à mesa de restaurantes e de outras questões decisivas para as gerações futuras.

Se ganhar as próximas eleições, António Costa passará uns meses a desmontar algumas das medidas que, graças aos ultimatos da "geringonça", se viu obrigado a tomar neste final de mandato. Ora, seria importante evitar esse sofrimento geral.

Tudo o que resta até ao final da legislatura é pouco mais que tempo perdido. Se, como parece, não houver condições para antecipar eleições, então, mesmo assim, é apesar de tudo preferível que elas decorram do chumbo do Orçamento e que se realizem o mais tardar em janeiro.

Cumprir calendário. Consta que é isso que todos os partidos desejam. O calculismo e as sondagens recomendam-lhes que se arrastem penosamente por mais um ano. Eu, que sou institucionalista, não consigo neste caso concordar. Não vejo o que possa de tão substancial alterar-se no tempo que falta. O PS continuará em posição de ganhar. O PSD continuará a achar que vai perder. A paciência dos portugueses para com os políticos, essa sim, será menor.

É altura de mudar de vida e de abrir um novo ciclo, por muito semelhante que seja ao atual. O país precisa de novos programas, novos objetivos e motivações. O país precisa de tudo menos de prolongar a agonia desta legislatura.

Climate Change Leadership. A cimeira, promovida por privados, que trouxe ao Porto um dos mais inspiradores políticos mundiais e passa a marcar a agenda do debate das alterações climáticas em Portugal. Se não estivesse envolvido na organização e se vivesse em Lisboa, seria tentado a achar que os lugares de estacionamento de Madonna são questão mais relevante. Felizmente, não são. A próxima edição está marcada para março de 2019. No Porto, continuamos a tratar do que realmente conta.

* EMPRESÁRIO E PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO PORTO