Opinião

D. Américo Aguiar vai levar mais Porto à capital

D. Américo Aguiar vai levar mais Porto à capital

O padre Américo Aguiar, aos 45 anos, tornou-se no mais jovem membro do episcopado nacional, com a nomeação para bispo auxiliar de Lisboa.

É um motivo de orgulho. No mundo católico não há muitos exemplos destas designações tão jovens.

A nomeação pelo Papa Francisco - que estará em Portugal, em 2022, nas Jornadas Mundiais da Juventude -, representa o reconhecimento de um dos nossos, de um grande homem da cidade, que muito tem contribuído para a abertura e para o rejuvenescimento da Igreja Católica em Portugal. É um homem próximo das pessoas e das instituições. Um homem simples e, simultaneamente, de visão de longo prazo, com uma sensibilidade singular para a comunicação. As felicitações e as manifestações de apoio a esta decisão têm surgido de norte a sul do país.

Ruma a Lisboa com uma grande obra no Porto e leva a cidade na sua ação. Deixa uma marca indelével na Irmandade dos Clérigos, com a sua mão no restauro da igreja e da torre, que hoje se projetam como símbolos turísticos da região. Na primeira mensagem após esta nomeação, com a elevação e a boa disposição que o caracterizam, D. Américo Aguiar agradeceu ao Porto e aos portuenses por todo o trabalho desenvolvido em prol da Igreja e das questões sociais.

Esta distinção de um dos nossos não é obra do acaso. D. Américo Aguiar é presidente do Grupo Renascença Multimédia, um dos maiores grupos de Comunicação Social portugueses, e diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja. Ambas as instituições têm sede na capital. É a prova da enorme capacidade dos portuenses. Mas é também a confirmação de uma penosa realidade: o auge do reconhecimento só é possível, muitas vezes, quando os talentos se deslocam para Lisboa. E no universo dos media abundam as referências. Vejam-se os casos dos pivôs de televisão, como Judite de Sousa, Rodrigo Guedes de Carvalho, Fátima Campos Ferreira ou José Alberto Carvalho. São alguns exemplos de reputados profissionais que se formaram e deram os primeiros passos no Jornalismo no Porto, mas que só atingiram a consagração das carreiras quando se deslocaram 300 quilómetros para sul.

D. Américo Aguiar será sempre um dos nossos, como faz questão de lembrar. Não posso concordar mais com D. Manuel Clemente: "é um homem do Porto, mas está muito bem em Lisboa, como estaria bem em qualquer outro local que o Papa lhe indicasse, porque as suas qualidades são realmente muito grandes".

*Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto