Opinião

Dois congressos e os desafios do Centro-Direita

Dois congressos e os desafios do Centro-Direita

O Norte foi o centro das atenções políticas nas últimas semanas. Em Gondomar, o CDS deu o tiro de partida para uma nova etapa, assente na continuidade da herança de Paulo Portas e na novidade de uma liderança no feminino. Em Espinho, o PSD confirmou Passos Coelho à frente do maior partido da Oposição - depois do triunfo inglório nas legislativas de outubro e de Marcelo Rebelo de Sousa ganhar as presidenciais de janeiro à primeira volta.

É um novo ciclo que se abre. O PSD renovou o mandato de um líder que foi primeiro-ministro e que, quatro anos depois, volta a liderar a Oposição, terá de modernizar-se e encontrar um discurso mobilizador, sem pôr em causa o património próprio de seriedade, credibilidade e rigor de Pedro Passos Coelho.

No CDS, os 16 anos de "portismo" deixam marcas indeléveis. Mas Assunção Cristas terá de aproveitar esse legado, procurando conquistar terreno no centro político, abrindo os horizontes ideológicos centristas a causas transversais e, como tal, mais abrangentes. Pelo menos em termos teóricos, o CDS tem "mercado" para crescer.

Com eleições (autárquicas) só em 2017, Passos e Cristas vão ter de responder a novos desafios. Vão fazê-lo provavelmente de forma autónoma; podem porém fazê-lo juntos. Desde logo, é necessário que definam mensagens que motivem o eleitorado, num quadro de grande saturação perante a política e de poucas causas que possam transmitir uma esperança responsável.

A questão passa por saber lidar com a entrega à extrema-esquerda de toda a iniciativa político-legislativa, bem como por combater uma estratégia política preparada para agradar a todos os interesses e grupos de pressão - desde logo na Função Pública e nos organismos do Estado. E não será fácil ter um discurso positivo e, em simultâneo, realista e responsável. Sobretudo perante um Governo que dá tudo a todos, com aumentos salariais, alegadas reduções de impostos, reposições e reversões.

Apesar da aparente paz social, convém lembrar o essencial: o Governo não tem uma política económica (há uma total ausência de medidas que viabilizem o investimento), tomou decisões com impactos sérios na produtividade e na competitividade das empresas (os aumentos de salários, a reposição de feriados, etc.), o Portugal 2020 não encontra forma de arrancar e os fundos comunitários continuam congelados ou com programas estratégicos em redefinição. Na prática, tudo conduz a um enorme atraso na chegada das verbas à economia real. Estes são os temas que estão obrigatoriamente na agenda. E, como tal, são os temas que vão definir o que pode ser uma política alternativa. Esse é, agora, o desafio do Centro-Direita.

EMPRESÁRIO E PRES. ASS. COMERCIAL DO PORTO