Opinião

O fim de Espanha?

Os resultados das eleições espanholas podem fazer o país cair para o lado da estabilidade ou entrar numa irresponsabilidade progressista. Na defesa dos interesses de Portugal, resta esperar que a moderação prevaleça e que Espanha se mantenha próspera e unida.

O maior parceiro comercial português vive em forte agitação política e social desde 2015. Foram três eleições, nenhum Governo maioritário, uma moção de censura e dois referendos ilegais à independência catalã. O impasse mantém-se - não existe maioria "natural" -, e só haverá Governo após as europeias.

As opções de Pedro Sánchez, um sobrevivente dentro do PSOE, inspirado na "geringonça" e em António Costa (com menos ideologia mas com mais oportunismo), são porém bastante claras. De um lado, tem o Podemos, com Pablo Iglésias, herdeiro de Hugo Chávez, cultivando a imagem da Esquerda caviar desde a sua mansão de 600 mil euros, lutando pela República e por uma Espanha federal (o equivalente à desintegração do Reino). Mas precisa ainda dos independentistas catalães, cujo líder fez campanha a partir da cela de uma prisão nos arredores de Madrid e que elegeram mais quatro deputados que, como ele, estão na cadeia. Este é o partido que mais procura o confronto direto com Espanha e que usa a insurreição e a violência como argumentos.

Do lado oposto, está o centro-direita representado pelo Ciudadanos e por Albert Rivera, que, com apenas 39 anos, representa uma nova geração política. Nascido catalão e defensor da unidade espanhola, Rivera aposta no descalabro do PP e quer capitalizar o papel de líder da Oposição, substituindo-se ao Partido Popular, na agonia da sua pior votação de sempre.

Pedro Sánchez pode escolher entre a estabilidade de uma grande coligação "à alemã" ou uma balbúrdia ideológico-constitucional que conduzirá à rebelião, à ruína e, no limite, à desejada república dos seus parceiros leninistas. Nós somos vizinhos, aliados e parceiros. Quase irmãos. Não é preciso explicar o que pode estar em causa para Portugal, pois não?

*Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto