Opinião

Uma campanha, um derrotado e um assalto

Uma campanha, um derrotado e um assalto

Europeias. Para os mais desprevenidos, convém deixar um lembrete pedagógico - há eleições para o Parlamento Europeu a 26 de maio e a campanha já começou.

À Esquerda interessa o debate de alguns temas nacionais, como a reposição de rendimentos ou os passes sociais nos transportes públicos (não tanto o penoso estado do Serviço Nacional de Saúde ou a decadência do caminho de ferro). À Esquerda - à moderada, mas sobretudo à radical -, importa passar uma imagem de bom comportamento, estabilidade e ponderação, procurando distância de Maduros, Lulas e Kims. E de Sócrates, claro. Perante a evidência, mais do que mero lugar-comum, de uma grande sondagem para as legislativas, a questão é mesmo conhecer a dimensão do impacto da dramatização em torno da crise dos professores. Ou seja, perceber com que expectativas podem António Costa e Rui Rio partir para as eleições de outubro e o que serão no dia seguinte. Não sendo dado a previsões ou a bolas de cristal, devo desejar felicidades a dois amigos, Paulo Rangel e Nuno Melo, que estão em campanha. Apesar da abstenção e do alheamento, algo do que for o país num futuro dependerá em parte do trabalho e da qualidade de ambos.

Professores. Mais do que os partidos, o ministro ou os próprios docentes, o grande derrotado do processo de descongelamento de carreiras chama-se Mário Nogueira. Vencido pelo cansaço dos portugueses e pela chantagem permanente, não percebeu que, tão cedo, ninguém quererá ouvir falar dele. Ao contrário da política, o sindicalismo ainda lida mal com a palavra renovação. Mário Nogueira falhou em toda a linha. Devia ter-se demitido. Ou, ao menos, seguir o bom exemplo de Arménio Carlos na CGTP e não se recandidatar ao lugar.

Fixe este número: 35,4 por cento do PIB. Trata-se do peso da carga fiscal em 2018. A mais elevada dos últimos 30 anos, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Foram mais de 71 mil milhões de euros. Foi o que no ano passado custou o "fim da austeridade" e o "virar de página" de António Costa e Mário Centeno. Fixe o número. E a seguir agradeça.

*EMPRESÁRIO E PRES. ASS. COMERCIAL DO PORTO

Imobusiness