Opinião

Uma só voz pela regionalização

Uma só voz pela regionalização

A Região Norte está unida pela regionalização. Cerca de uma centena de personalidades e várias entidades da região reuniram-se em Bragança, no último sábado. Objetivo: propor aos partidos políticos com assento parlamentar que se comprometam a realizar o referendo da regionalização na próxima legislatura.

Autarquias, universidades, associações comerciais e industriais, centros tecnológicos e comunidades intermunicipais. Vários agentes do tecido económico - aqueles que contribuem para que o Norte seja a região mais exportadora do país e para o maior crescimento nacional - debateram e apresentaram uma só voz pela regionalização. O memorando de entendimento assinado é claro ao propor um referendo de âmbito nacional durante o próximo mandato parlamentar, para que os portugueses se pronunciem sobre a implementação deste modelo de regionalização.

Na Associação Comercial do Porto - a mais antiga associação empresarial portuguesa -, não abdicamos da defesa dos interesses do Porto, do Norte e do país, defendendo este modelo de regionalização. Aliás, foi nesse sentido que juntei todo o meu apoio e energia ao encontro de Bragança. Contribuímos com um estudo sobre a descentralização, alvo de várias manifestações de apoio de autarcas, empresários e académicos, e emitimos um vasto conjunto de posições fundamentadas sobre a regionalização.

Este é o momento de o Governo deixar de gerir, contornar e adiar este tema e de não o tratar como a agenda do Porto ou do Norte. Esta é a agenda de Portugal. Esta é uma preocupação urgente de todo o país, que se vem acentuando com o agravar de movimentos e tendências centralistas. É hora de Lisboa deixar de olhar para a regionalização como uma guerra geográfica ou uma luta independentista de uma região de bacocos e provincianos. Esta é uma necessidade premente por um Portugal do século XXI. Mais coeso, mais justo e, por consequência, mais rico.

Basta de relatórios que afirmam que se o Norte fosse analisado como um país seria o quarto mais pobre da Europa. Basta de gastar dinheiro dos contribuintes para formar conselhos de sábios que (pela milionésima vez) estudam e refletem sobre esta matéria. Basta de rankings que apontam Portugal como o país mais centralizado da Europa. Chega de diagnósticos. Já temos documentos e dados suficientes para chegar à óbvia conclusão: a regionalização é para avançar já.

*EMPRESÁRIO E PRES. ASS. COMERCIAL DO PORTO