Opinião

Vários sinais dos tempos modernos

Vários sinais dos tempos modernos

Outra vez os professores. Está de volta a mais poderosa das corporações. Ameaça sobre o Governo, pressão sobre os alunos, desorientação para as famílias. É o regresso da chantagem embrulhada no papel do sempre legítimo direito à greve. Os mais de 100 mil professores e os mais de 20 (é verdade; em bom rigor são 23) sindicatos que os representam exigem ser tratados (e pagos) como uma classe superior, acima dos restantes funcionários públicos e dos portugueses em geral. Tudo isto em período de exames, de classificações de final de ano e de concursos para as universidades. A falta de respeito, de vergonha e de brio profissional é tal que, valha-nos isso, até um Governo de Esquerda como o que temos já percebeu que vai ser preciso mexer na regulamentação das carreiras e no regime de avaliação dos professores.

Espanha e Itália. Dois países que são motores económicos da Europa do Sul têm novos governos, com bases de apoio mais idênticas do que possa parecer. Enquanto a Itália levou um novo populismo ao poder, numa estranha coligação de extremos, em Madrid, o socialista Pedro Sánchez levou poucos dias a passar do quarto lugar nas sondagens a presidente do Governo, num sucedâneo da geringonça montada por António Costa. Pelo meio, afastou Rajoy, cedeu aos separatistas bascos e catalães e começou a transformar-se na nova vedeta da Esquerda europeia. Nem um nem outro Governo prometem ter vida longa. A incerteza continuará a dominar.

O acordo na Coreia. O compromisso para a desnuclearização da península da Coreia só pode ser uma boa notícia, qualquer que seja o ponto de vista. Claro que, sendo Trump uma das partes nesta cimeira, a comunidade internacional tem mais dúvidas do que certezas. Afinal, o Trump da paz em Singapura é o mesmo que rasga acordos com o Irão e o mesmo da guerra comercial ao G7. Acredito num balanço necessariamente positivo. Existe um diálogo que põe fim a mais de 60 anos de conflito. Quando ainda há menos de seis meses o Mundo vivia na iminência de um problema nuclear grave e de uma possível terceira guerra mundial, passamos a um caminho e a uma esperança de paz.

A Cultura do Porto. O Tribunal de Contas continua a impedir a criação da Empresa Municipal de Cultura proposta por Rui Moreira. Arvorado em moralista do regime e em "dono do cofre", o TdC é a melhor ilustração do arrogante centralismo português e o maior opositor de um Governo, como o atual, que tem procurado descentralizar o país. Sucede que as finanças locais do Porto são saudáveis e que não há argumentos sérios contra a criação da empresa municipal. Mais, para o mesmo fim e nas mesmas condições, Lisboa tem uma empresa municipal de Cultura. Não brinquem connosco.

EMPRESÁRIO E PRES. ASS. COMERCIAL DO PORTO

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