Opinião

Liberdade e responsabilidade

Liberdade e responsabilidade

Tudo indica que, de hoje a uma semana, teremos novo Governo no país. Com nomes mais previsíveis que o habitual e sem a aura de novidade a que estes momentos nos habituaram, mas com a certeza da estabilidade, que foi a opção expressa pela grande maioria dos eleitores.

É, portanto, neste ponto que devemos centrar expectativas. O novo Executivo dispõe de ótimas condições políticas para cumprir com sucesso a sua missão: goza de maioria absoluta, está liberto de condicionamentos ideológicos e beneficia da cooperação estratégica com o presidente da República. Além disso, a legislatura será mais longa que o habitual, o que garante tempo e espaço de manobra.

Esta liberdade, no entanto, aumenta a responsabilidade do novo elenco de António Costa, dados os múltiplos desafios que tem pela frente. Desde logo, a execução do PRR, um programa excecional de apoio comunitário, cuja dimensão representa uma grande (a última?!) oportunidade para transformar estruturalmente a nossa economia. A necessidade de convergir de forma mais consistente com os países europeus deve ser uma absoluta prioridade para o futuro Governo. Para tal, é necessário respeitar a concertação social e criar um pacto de crescimento que tenha horizonte e estabilidade.

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As reformas setoriais também serão indispensáveis para crescer de forma sustentada. Nesse sentido, emerge a necessidade de uma nova política fiscal, seja ela mais amiga das empresas ou das famílias. É insustentável manter esta asfixia, sob pena de prosseguirmos na senda da fuga de cérebros e da perda de investimento privado para países fiscalmente mais competitivos. Acresce a reforma da Administração Pública, tornando-a num sistema mais ágil e desconcentrado, que aproxime as decisões políticas dos territórios que delas beneficiam; a indispensável reforma da Justiça, que permanece morosa e ineficaz; uma política de qualificações que responda às necessidades do mercado de trabalho; finalmente, um combate ao inverno demográfico, para que deixemos de ser um país de pensionistas.

Terá o primeiro-ministro este ímpeto reformista? Acredito que sim, motivado por deixar marca e responder ao que os eleitores lhe pediram.

*Empresário e pres. Ass. Comercial do Porto

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