Opinião

Muitas dúvidas e poucas certezas para 2020

Muitas dúvidas e poucas certezas para 2020

O ano que agora acaba teve sucessos, de fatalidades e incertezas. Mas o passado recente só nos pode incentivar a novas conquistas no futuro próximo. Na vida económica como na política, temos obrigação de fazer mais e direito a esperar melhor para 2020.

Mais um ano sem regionalização. O Estado mais centralista da Europa continuará sem regiões e sem que competências dignas desse nome sejam transferidas para fora de Lisboa. António Costa encenou já o adiamento da reforma para uma próxima legislatura, matando o assunto. Os partidos voltam a agradecer não ser confrontados com esse incómodo, esse tema provinciano, essa "chatice" que é a regionalização. E Portugal continuará triste e atrasado.

Tempestade económica internacional. Os próximos meses contêm os ingredientes quase perfeitos para uma agitação de efeitos imprevisíveis. Da materialização do Brexit às suas consequências na União Europeia, dos acordos comerciais com a China às guerras alfandegárias. E, em novembro, eleições presidenciais nos Estados Unidos e tudo o que isso pode representar como agravante da instabilidade política de Trump. Daqui a um ano, só por um acaso a realidade internacional terá muitas parecenças com a atualidade.

Há um futuro para a Direita? Um PSD à procura de si próprio e um CDS a lutar pela manutenção - este é o estado do centro-direita tradicional. Acresce a proposta política atrativa e fresca dos liberais e o discurso do medo, securitário e eficaz, dos extremo-populistas. Some-se a isto o recentrar ideológico do PS, liberto dos seus parceiros de Esquerda, e concluir-se-á que o futuro da Direita é ainda mais incerto do que possa parecer. Nem tudo se resolverá nos congressos partidários que se avizinham. Mas, para haver esperança, convém que a reorganização comece aí.

No Porto, uma certeza e uma dúvida: 2020 já não será o ano da reabertura do Bolhão - as dificuldades com que os engenheiros se confrontam na obra levará a que fique concluída apenas no ano seguinte; mas poderá ser, espero mesmo que seja, o ano em que o Coliseu, com o apoio das forças vivas da cidade, irá ser recuperado e reabilitado.

*Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG