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Não há mais tempo a perder

Não há mais tempo a perder

A rábula do novo aeroporto de Lisboa teve mais um capítulo, na última semana, com o famigerado despacho do ministro Pedro Nuno Santos, seguido da revogação e ralhete público de António Costa. A trapalhada política - já por demais comentada no espaço público - só serviu para, uma vez mais e à boa maneira portuguesa, discutir o acessório e ignorar o que é essencial. Neste caso, o essencial é mesmo avançar com o projeto de uma nova infraestrutura aeroportuária, por todos reconhecida como uma necessidade e que está há décadas por concretizar.

Um estudo de 2007, desenvolvido pela Universidade Católica para a Associação Comercial do Porto, apontava a solução Portela + Montijo como a alternativa mais custo-eficiente, no cenário de manutenção do atual aeroporto de Lisboa. As vantagens para outras localizações, como Ota e Alcochete, eram substanciais em ambas as circunstâncias e, ao nível ambiental, os autores do estudo concluíram que a hipótese Montijo não apresentava impactos superiores às alternativas.

Quinze anos depois, e apesar de ter sido a solução que gerou mais consenso político em muitos anos - o executivo de Passos Coelho apoiou o projeto, já no final do mandato, e António Costa chegou mesmo a fazer um protocolo com a ANA para um modelo de operacionalização - a verdade é que nada saiu do papel e da discussão estéril. O próprio primeiro-ministro parece ter agora hesitado nessa opção, não se compreendendo a ideia de desviar para o maior partido da oposição a responsabilidade de uma escolha para a qual está legitimado há sete anos - e com maioria reforçada.

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Esperemos que, para bem de todos, este inusitado incidente político esteja ultrapassado e que o processo do novo aeroporto seja conduzido com outra lucidez, consistência e, já agora, celeridade. Exige-se aos protagonistas que promovam as soluções de compromisso que forem necessárias, mas sem mais hesitações ou tibiezas no processo de decisão. Como resulta claro das imagens que vemos diariamente nas televisões, não há mesmo tempo a perder. Nem para brincar aos aviões.

Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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