Opinião

Não são mais umas eleições

Não são mais umas eleições

Todas as eleições importam, na medida em que são a expressão concreta da democracia. Mas estas legislativas revestem-se de particular importância, porque nelas se define, mais do que nas últimas e nas anteriores, o futuro do país para as próximas décadas.

Apesar de, neste espaço, já ter considerado irresponsável o timing eleitoral, pragmaticamente temos de encarar este processo, olhar para as alternativas e perspetivar o país. E o cenário não se presta a grandes otimismos.

Neste sentido, entendo que o primeiro critério que deveria prevalecer no debate eleitoral é o da seriedade no diagnóstico. É fundamental falar verdade às pessoas, assumir que o país não está bem e que enfrentamos ameaças muito sérias à nossa sustentabilidade económica e financeira. Apesar do quadro estável que vivíamos na pré-pandemia, a situação portuguesa não era sólida e nenhum dos problemas estruturais da nossa economia foi atacado. Pelo contrário, alguns até foram agravados, como a falta de produtividade, a excessiva carga fiscal, a dependência energética ou a ausência de coesão territorial.

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A recusa em promover reformas deixou-nos mais expostos e fragilizados perante uma crise inesperada como a que estamos a enfrentar. O filme de 2010/11 voltou-se a repetir e, a uma crise internacional, sucede-se a instabilidade política e o caos social. É por isso que estas eleições são tão importantes, na medida em que o país não pode continuar adiado. Temos de aprender com os erros do passado e enfrentar os desequilíbrios estruturais do país, com coragem e sem tibiezas.

O discurso reformista seria, nesta lógica, a prioridade que gostaria de verificar na campanha. A que somaria outras causas como a promoção turística, a regionalização, o bom investimento público e a redução da máquina do Estado. Infelizmente, pela amostra dos primeiros debates, ouve-se mais falar da negociação política, do que destes e outros temas concretos. Estamos entretidos pelos políticos, quando devíamos estar informados. Espero sinceramente que tal não persista até dia 30 de janeiro e que os protagonistas sejam capazes de conferir mais racionalidade à campanha e apresentar soluções. A bem de todos, para que estas eleições não são sejam mais do mesmo.

*Empresário e pres. Ass. Comercial do Porto

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