Opinião

Notas do ataque à civilização

Notas do ataque à civilização

1) A "guerra de Orson Welles", como lamentavelmente caricaturou o, assim apodado, saudoso parlamentar António Filipe, não era a fingir.

Ela aconteceu mesmo, para desgraça do povo ucraniano e enorme vergonha de um partido nostálgico do horror soviético, que não deveria ter lugar numa democracia madura e europeia, como a nossa aspira a ser. Nunca é demais recordar que foi esta mesma força política que condicionou as opções governativas do nosso país nos últimos anos. Quando muito se fala nas linhas vermelhas contra o extremismo, a complacência com o Partido Comunista Português é um ato de puro cinismo e hipocrisia.

2) A invasão da Ucrânia não pode gerar outra reação do mundo ocidental que não a mais profunda repulsa e oposição. Porque não se trata apenas de um ataque à liberdade de um povo ou de uma agressão a um território soberano. Ela atenta também contra os princípios que hoje constituem a bússola moral e política do Ocidente. A paz, a democracia e o Estado de direito são conquistas inalienáveis da nossa civilização, que não podem sequer ser questionadas. Neste sentido, a manifestação global de solidariedade com os ucranianos é digna de elogio e confere-nos esperança para o futuro.

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3) O agressor não apareceu agora. Putin tem um histórico de 20 anos, onde nunca escondeu o seu absoluto desprezo pela liberdade e pela autodeterminação dos povos. Trata-se de um bárbaro, que ordenou o envenenamento de adversários políticos e eliminou todas as formas de controlo e escrutínio democrático do seu país. A Europa e os EUA toleraram em demasia estes comportamentos, entendendo que o pragmatismo dos acordos se sobrepunha à ambição neoimperialista. Esperemos que o alarme disparado ao longo destas semanas não tenha sido tarde demais.

4) Os ucranianos são vítimas deste processo e foram efetivamente deixados à sua sorte. Deram sinais inequívocos de que a ameaça existia e manifestaram-se favoráveis, de forma amplamente maioritária, à via europeia. Infelizmente, os esforços da União e da NATO foram bastante frouxos e tiveram este terrível desfecho. É importante que a lição seja bem aprendida pelos responsáveis ocidentais e que não mais se repitam estas ambiguidades.

Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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