Opinião

O autogolo de António Costa

O autogolo de António Costa

O caso Benfica arrisca-se a entrar para a história como o maior erro político de António Costa.

Por muito que se diga, o tema voltará à ribalta sempre que o clube ou o seu presidente for envolvido em polémicas (o que é frequente) ou andar a contas com a justiça (o que infelizmente também não é raro).

O Benfica é o meu clube. Estou por isso à vontade para dizer o que penso sobre a presença de António Costa na Comissão de Honra da candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do SLB. E o que penso é que se trata de uma promiscuidade desnecessária e nada gloriosa. O Benfica não precisa de ser o clube do poder para se sentir temível e poderoso. Pelo contrário, quanto mais protegido ou privilegiado parecer menos respeitáveis serão as suas vitórias.

O verdadeiro problema não está no clube nem no presidente, antes está na péssima mensagem que o gesto de Costa transmite. Pior ainda é a desculpa que o tenta justificar. Exceto numa república das bananas, o primeiro-ministro tem que ser um exemplo de retidão e de imparcialidade. É certo que já tivemos um José Sócrates. Mas até por isso devíamos ter aprendido (a começar pelo PS, que teve um convívio mais próximo com a figura). Um primeiro-ministro não pode emprestar o prestígio do cargo a amigos, familiares e favoritos. Não pode permitir que o seu nome, a sua imagem e o seu estatuto sejam utilizados a favor de alguém (e necessariamente em desfavor de outros).

O ponto não são os crimes alegadamente cometidos por Vieira. Estivesse em discussão uma eleição de condomínio ou um torneio de golfe no Algarve, a colagem do primeiro-ministro a uma causa particular, mesmo que admirável, seria também motivo de censura.

Quem emprestou prestígio a terceiros foi o ocupante do n.0º 6 da Rua da Imprensa à Estrela, morada oficial do primeiro-ministro de Portugal. Que, de momento, se chama António Costa. Ilustre jurista e amável cidadão que pode, quando abandonar o cargo, ter os clubes que entender, pertencer às comissões que quiser e frequentar os amigos que lhe apetecer. Até lá, não convinha.

*Empresário e Pres. Ass. Comercial do Porto

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